Cultura | Músicas de uma Noite de Verão 2025 – Três Noites de Cultura e Emoção na Praça de Campolide

Fotos: Francisco Melim | Texto: Sofia Julião

ENTRE OS DIAS 4 E 6 DE JULHO, A PRAÇA DE CAMPOLIDE ACOLHEU MAIS UMA EDIÇÃO DO FESTIVAL “MÚSICAS DE UMA NOITE DE VERÃO”, UMA INICIATIVA DA JUNTA DE FREGUESIA DE CAMPOLIDE QUE TROUXE MÚSICA AO AR LIVRE, ENTRADA GRATUITA E UMA PROGRAMAÇÃO ECLÉTICA PENSADA PARA TODOS OS PÚBLICOS.

Durante três noites inesquecíveis, a Freguesia transformou-se num ponto de encontro entre vizinhos, amigos e visitantes, numa verdadeira celebração da arte em espaço público. O festival confirmou, uma vez mais, a importância de promover eventos culturais descentralizados, próximos das pessoas e do território.

4 DE JULHO: ENCANTAMENTO E TRADIÇÃO

A estreia do festival, na sexta-feira, 4 de julho, ofereceu uma noite pautada pela emoção e pela intemporalidade das grandes obras musicais. O primeiro espetáculo foi uma versão encenada e adaptada da ópera “A Flauta Mágica” de Mozart, pensada para um público familiar e intergeracional. Acompanhados ao piano por Joana Rolo, os cantores Alexandra Bernardo, Elvire de Paiva e Pona, Christian Luján e Carlos Monteiro, com narração de Jorge Rodrigues, deram vida a esta obra-prima de forma envolvente e acessível, cativando miúdos e graúdos com a sua energia, teatralidade e beleza musical.

Seguiu-se o concerto de Luísa Amaro, num tributo comovente a Carlos Paredes no ano do centenário do seu nascimento. A artista homenageou o mestre da guitarra portuguesa através de interpretações sentidas e intensas, enchendo a praça com os sons únicos do instrumento e evocando memórias partilhadas de um dos maiores ícones da música nacional. Foi uma noite de abertura onde a tradição e a emoção estiveram lado a lado, marcando um início memorável para o festival.

5 DE JULHO: CRIATIVIDADE, IMPROVISAÇÃO
E POESIA MUSICAL

A segunda noite do festival, no sábado, 5 de julho, deu continuidade à diversidade artística da programação com dois momentos que privilegiaram a criatividade, a improvisação e o sentimento poético. O maestro António Victorino D’Almeida, acompanhado pelo acordeonista Paulo Jorge Ferreira, apresentou um espetáculo de improvisação ao vivo, marcado por momentos de humor, mestria técnica e liberdade criativa, numa atuação única que evidenciou a mestria e a cumplicidade artística entre os dois músicos.

Seguiu-se a atuação de Teresa Salgueiro, uma das vozes mais emblemáticas da música portuguesa. Num concerto intimista e emotivo, a artista revisitou vários momentos da sua carreira, encantando a audiência com a delicadeza da sua interpretação e a profundidade da sua presença em palco. A sua voz inconfundível e a interpretação delicada criaram um ambiente de beleza poética que envolveu todos os presentes.

6 DE JULHO: ALMA, RITMO E PRESENÇA

O encerramento do festival, no sábado, 6 de julho, ficou a cargo de Ben Colton, um dos nomes emergentes da soul portuguesa. Com influências claras da Motown, do jazz e das sonoridades afro-europeias, o artista trouxe à Praça de Campolide uma atuação carregada de groove, emoção e autenticidade.

A sua presença em palco e capacidade de comunicação com o público resultaram num concerto vibrante, que conquistou o público do início ao fim. A Praça de Campolide contou, ao longo dos três dias, com a presença de muitas centenas de pessoas, entre moradores da Freguesia, visitantes da cidade e público de diferentes faixas etárias. O evento afirmou-se como um verdadeiro encontro de gerações, onde o gosto pela música e pela arte serviu de elo de ligação.

O Festival contou com a presença do Presidente da Junta de Freguesia de Campolide, Miguel Belo Marques, dos vogais do Executivo Bruno Louro, detentor do pelouro da Cultura, Cátia Costa e Luísa Coimbra, que acompanharam de perto cada momento desta edição muito participada, marcada por um público diverso e numeroso, vindo de Campolide e de vários pontos da cidade.

UMA CELEBRAÇÃO DA CULTURA AO AR LIVRE

O Festival “Músicas de uma Noite de Verão” confirmou-se, mais uma vez, como um dos pontos altos da agenda cultural de Campolide. Com uma programação gratuita e ao ar livre, acessível a toda a população, proporcionou três noites distintas, mas igualmente envolventes, num cruzamento de estilos musicais, públicos e experiências.

Para além do carácter artístico, o festival demonstrou a capacidade de unir a comunidade em torno da cultura, contribuindo para um espaço público vivo de partilha coletiva. Campolide volta, assim, a afirmar-se como um ponto de encontro entre música, tradição e contemporaneidade, celebrando o verão com cultura, proximidade e emoção.